23 Jan, 2020 Última Actualização 2:56 PM, 22 Jan, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Fernando Martins

 

Fernando Martins é natural de Aguiar da Beira mas cedo emigrou para França. Com 11 anos partiu rumo a Paris para, inicialmente, trabalhar no sector da construção civil. Aos 26 anos muda-se para a região da champagne e começa a trabalhar, juntamente com a esposa, nas vinhas. Mais tarde, em 2001, surgiu a oportunidade de criar uma empresa de prestação de serviços vitivinícolas. Até hoje em funções, a empresa realiza todos os serviços nas vinhas, desde a poda à vindima. É precisamente nesta altura, na vindima, que  Fernando Martins traz de Portugal cerca de 250 trabalhadores para, durante algumas semanas, trabalharem nas vinhas. Foi desta forma que Fernando Martins decidiu construir uma casa que pudesse alojar os vindimadores. “Em tempos cheguei a ter 350, hoje são cerca de 250 por ano. Por isso, pela construção da casa, acabei por me tornar empresário do sector da construção civil”, explicou. A actividade na construção não se ficou por aí, mantendo até aos dias de hoje a empresa em funcionamento. Da mesma forma que se trabalha na gestão de duas empresas, trabalha-se igualmente numa terceira. As ideias na cabeça de Fernando Martins não param e daí surgiu a construção do Gîtes des Sablons, um conjunto de casas rurais. Quando se pensa que Fernando Martins, com empresas em três sectores de actividade distintos, não tem novas ideias, está-se enganado. Em Junho de 2017 criou a Design Meubles, uma loja de móveis em Châtillon-sur-Marne. O empresário assume que todos os sonhos que tinha na vida já os conseguiu alcançar, mas que a cada dia que passa, um novo surgirá para tentar concretizar. Assenta a sua vida em lealdade e amizade, orgulhando-se de ter muitos amigos, quer em Portugal, quer em França. O seu lema de vida, que o deixa também a todos os portugueses é que “para conseguirmos alguma coisa da vida temos de trabalhar, não se pode esperar que o dinheiro caia do ar”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Fernanda Martins

 

Fernanda Martins tinha seis anos quando partiu de Santa Maria da Feira para Paris. Lembra, com orgulho, o percurso que os pais fizeram e a coragem de ambos quando decidiram emigrar. Apesar das modestas condições em que que a família viveu durante os primeiros anos em França, Fernanda diz, com um sorriso aberto, que teve uma infância feliz. A maior felicidade e as melhores memórias que tem desse período são as férias de verão passadas em Portugal. Mesmo distante, Fernanda sempre foi ensinada, pelos pais, a dar valor às suas raízes. Em casa só se falava português e a rádio estava sempre sintonizada nas notícias e nas músicas portuguesas.

Falar português foi fulcral para o seu percurso profissional. Começou por integrar um escritório de advogados que fazia negócios com o Brasil e que, por isso, procuravam alguém que falasse português. “Entrei como secretária, fui assistindo a traduções. Ao mesmo tempo, fui-me formando e tirei uma licenciatura em direito privado”. Mais tarde, integrei uma universidade para ser responsável pelo curso de Gestão de Recursos Humanos. Hoje, é chefe de gabinete na União Nacional das Empresas Industriais, trabalhando para o presidente.

É uma orgulhosa portuguesa. Fernanda já cumpriu um dos seus maiores sonhos, ter uma casa em Portugal. O regresso a terras lusas é um sonho que anseia concretizar. Aos portugueses deixa esta mensagem " temos de deixar esse sentimento de inferioridade de lado, temos de acreditar que tudo é possível".

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Daniel Bastos

 

Daniel Bastos nasceu em 1980 em Fafe e é a partir daqui que tem desenvolvido um trabalho notório. Começou desde cedo por sentir uma grande ligação à sua freguesia, Cepães, que fica sensivelmente a quatro quilómetros do centro da cidade de Fafe. “Uma freguesia com alguma ruralidade, mas com também com indústria têxtil”. Daniel assume que teve uma juventude muito marcada pela ligação aos avós maternos, pilares importantes na sua educação e formação.
Estudou em Fafe e, em 1998, ingressou na Universidade de Évora, onde se licenciou em História, via ensino, sendo ainda hoje professor de História no Colégio João Paulo II, em Braga, um colégio de referência no distrito. Tirou, também, um curso de teologia, não por uma questão de vocação, mas para alargar horizontes ao nível cultural. “Quando regressei a Fafe, estive profissionalmente como assessor durante vários anos aqui no Município de Fafe, na área da cultura e educação. Estive também ligado algum tempo ao Museu das Migrações das Comunidades”. Durante esse período, Daniel Bastos fez ainda uma pós-graduação em Ética e Filosofia Política na Universidade Católica, em Braga, onde paralelamente foi consolidando um percurso na área da investigação e na edição de livros, onde tem colaborado, concebido e realizado, sobretudo na história na emigração portuguesa. Daniel é ainda colaborador assíduo com vários orgãos de comunicação da diáspora portuguesa, em diferentes regiões do globo.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Fátima Lopes

 

Fátima Lopes nasceu no Funchal e tem levado o nome de Portugal a todos os cantos do mundo. É uma das grandes mulheres portugueses, fazendo jus ao facto de ter nascido a 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. Ainda hoje continua ligada às suas raízes. “Nasci numa ilha maravilhosa, onde as pessoas são realmente amigas. Nasci com sol, amizade, simpatia. Tenho as melhores recordações de infância e adolescência, vivi lá até aos 23 anos”. A sua primeira experiência profissional foi na área do turismo, tendo sido agende viagens e guia turística durante quatro anos. “Foi fantástico, até dizer: já chega, o meu sonho é a moda”. Veio para Lisboa em 1988 e em 1992 lançou a sua marca. São vários os grandes momentos da sua carreira enquanto estilista, mas Fátima Lopes destacou os mais marcantes: “quando lancei a marca num grande desfile no Convento do Beato em Lisboa, numa altura em que ninguém fazia desfiles. Foi uma lufada de ar fresco nesta cidade. Depois, quando comecei a desfilar em Paris pela primeira vez e festejei agora 20 anos na capita francesa. Fui o primeiro português em Paris. Destaco também o desfile do biquini de diamantes, que marcou a minha carreira e mudou a minha vida completamente, porque levou o nome Fátima Lopes ao mundo e faz parte do guiness no ano 2000, como o biquini mais caro do mundo. Realço ainda o primeiro desfile realizado na Torre Eiffel, fui eu que o fiz e não um francês. Fui condecorada pelo Presidente da República, onde recebi uma Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique. Tive também uma homenagem maravilhosa na Madeira, onde fiquei sem palavras”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Cidália Lourenço

 

Cidália Lourenço nasceu em Faro, corria o ano de 1966. São muitas e boas as recordações que tem da infância, passada ainda em Portugal. Desde os 3 anos que os pais a deixaram a morar com os avós, e por isso cresceu no campo, junto dos animais. “Os meus avós eram pessoas que trabalhavam no campo e tenho recordações fantásticas desses tempos. Lembro-me de ir para a escola de bicicleta, de passar nas ruas pequenas, pelos campos. Todos os alunos estavam na mesma turma. Recordo-me de festas antigas, de tradições”. Cidália chegou a França com 10 anos, altura em que os pais decidiram levá-la para junto da família. Tinha terminado em Portugal a 4ª classe, mas em França continuou os seus estudos. Teve na mente a ideia de seguir Medicina, apesar de sempre ter manifestado gosto pelas línguas. “Quando chegou o momento de me inscrever em Medicina, vi que eram muitos anos de estudos, tive medo de não chegar até ao fim e dedica inscrever-me em Comércio Internacional”. Começou por trabalhar numa empresa do ramo dos brinquedos, pois precisavam de alguém que falasse correctamente italiano, como era o seu caso. Trabalhou aí vários anos, entrou com centrais de compras, como o Carrefour e o Leclerc, a negociar e a criar coleções. Ao fim de oito anos foi contactada para entrar na área da decoração de jardins e aí trabalhou muito com Portugal, comprando muita cerâmica para jardim. “Isto foi há 20 anos atrás, e comecei a ir para a China, mercado que conheço muito bem, estive praticamente um ano lá a morar, e importo imensa mercadoria da China”.
Há 10 anos, Cidália Lourenço criou a sua própria empresa, no ramo do jardim e decoração de interiores, e hoje trabalha praticamente com todas as cadeias de compras francesas. Para além disso, tem também uma empresa sediada em Hong Kong, na China. Cidália revela que o seu sonho é regressar e viver em Portugal, gerindo as suas empresas através da sua pátria.