11 Aug, 2020 Última Actualização 2:18 PM, 10 Aug, 2020

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Daniel Ribeiro

 

Daniel Ribeiro é hoje o director da Rádio Alfa, mas a sua história começou em Carregal do Sal. Nasceu em 1953 e, por isso, sabe bem o que foi o regime Salazarista. Natural da Beira Alta, região do Dão, recorda uma infância ‘livre’ numa zona agrícola. Fez o liceu no Carregado, num colégio privado, como assim predominavam nessa época. Desde os seus 15 anos que tomou consciência da natureza do regime português e da guerra colonial, empenhando-se na luta contra o fascismo. Já em Coimbra, para onde foi estudar Direito, começou a trabalhar no jornalismo, tendo começado num jornal clandestino da Universidade de Coimbra, que editava em sua própria casa. “Abordava temas como a luta pelo fim do regime, o acesso ao ensino para todos e não apenas para uma elite, e pelo fim da guerra colonial”. A partir daí, Daniel ganha o gosto pelo jornalismo e, aos 25 anos, entra no jornalismo profissional. Começa n´O Jornal, um passado longínquo da Visão, tendo depois passado para o Expresso, para o qual já trabalha há cerca de 30 anos. Chegou a França como correspondente da imprensa portuguesa, esteve quase 20 anos na RFI e, em 2000, entrou na Rádio Alfa. “Achei importante trabalhar junto da comunidade, sempre achei este projecto muito interessante”. No Expresso continua a fazer jornalismo político, e na Alfa é o director de antena, coordenando os programas e toda a informação. Em jovem, leu um livro sobre um correspondente no Líbano, e teve a certeza que era isso que desejava ser. Era um dos sonhos, a par da luta contra o regime português. “Foi para mim uma grande alegria o 25 de Abril de 1974, porque permitiu acabar com a guerra, pôr fim ao regime totalitário e permitiu acesso ao ensino por todo o país”. Hoje, Daniel tem o sonho de que todos os países e governos sejam mais solidários, que não haja extremismos e que apoiem mais os desfavorecidos. Para si a questão da desigualdade social sempre foi importante. Na profissão, exige ser correto, independente, dar as notícias com contraditório sempre, com independência e qualidade no que se faz”. Nunca esteve directamente envolvido no meio associativo, mas valoriza o apoio directo a quem conhece. Por isso, sempre ajudou os sem-abrigo da sua rua. Também valoriza o trabalho da Santa Casa da Misericórdia e o trabalho das associações com a vertente cultural. “Uma das missões mais importantes das associações é a transmissão da cultura para os lusodescendentes. Esse também é um dos papeis da Rádio Alfa, transmitir a cultura aos nossos ouvintes e fazer rádio para todos, de qualidade. Isso é difícil de fazer, uma rádio generalista para todas as pessoas, mas temos conseguido”. Para si, ser português é gostar de Portugal, e gosta muito do seu país, das suas gentes e da sua gastronomia. Considera-se um cidadão do mundo, que gosta do lugar onde nasceu. Daniel deixa uma mensagem, em primeiro lugar, para a Lusopress. “Que continue a fazer o trabalho de aproximar os portugueses, pois contribuiu para criar uma aproximação entre portugueses que não existia, colocou os portugueses todos em contacto, nomeadamente no sector empresarial. Envio também uma saudação para todos os portugueses de França e espero que gostem do nosso trabalho na Rádio Alfa”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Rui Lafayette

 

É filho de pai angolano e mãe portuguesa. Rui Falayette nasceu em Angola a 15 de Novembro de 1965, local onde cresceu e viveu até aos nove anos de idade. Com a guerra, a família teve de fugir para Portugal, e instalou-se na aldeia do avô materno, perto da Guarda. Já sem o pai, aqui Rui teve de se adaptar a uma nova realidade, num país mais frio. Estudou aqui até aos 15 anos, altura em que foi para França, onde já se encontrava a sua mãe. Ainda frequentou a escola para aprender a língua francesa e obteve um diploma de torneiro mecânico, mas nunca exerceu essa profissão. Rui não era rapaz para estar fechado a produzir, tinha um espírito de comercial e começou por ser estafeta numa das maiores empresas portuguesas em França no ramo dos seguros, a Império. “Fui estafeta durante três anos”. A empresa, tinha também a vertente de agência de viagens, onde Rui se foi integrando aos poucos. “Comecei a levar bilhetes de avião aos clientes, ia aos bancos e, ao mesmo tempo, comecei a aprender a vender bilhetes. Tive uma directora que apostou em mim e deu-me a oportunidade de ser agente de viagens”. Assim se deu início a uma longa carreira dedicada à agência de viagens. Com 25 anos, passou a ser chefe de agência, no 11º bairro de Paris e como bom vendedor que se revelou, nunca mais deixou o local. Hoje o espaço onde trabalha é da MZ Voyages, mas Rui Lafayette está no mesmo escritório há 28 anos.  Mais do que conseguiu até hoje, Rui sente-se orgulhoso por ter dado aos filhos a oportunidade de estudar. O filho é bancário, e a filha engenheira. “Estão a voar sozinhos e estou super contente”. Hoje, sonha poder regressar a Portugal e realizar alguns projectos no Algarve. Valoriza muito a educação que teve, e enaltece o papel da mãe neste sentido, que sente lhe transmitiu a importância da família.  Ao nível associativo, participa regularmente em ações do Lions Club, da Santa Casa da Misericórdia de Paris e da Le Copains d´Hugo. Para si, ser português, significa representar a cultura lusa em França. “Toda a vida trabalhei com portugueses, sempre servi os portugueses. Gosto de ajudar o meu povo, as minhas origens. Vou muitas vezes a Portugal, continuo a ir à festa da aldeia. Tento ir aqui também às festas portuguesas. Somos pessoas que estamos juntos e nos ajudamos uns aos outros. Somos um povo muito de paz, onde há muitas pessoas com as quais podemos contar. Que continuem assim”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Manuel Alves

 

Manuel Alves nasceu numa pequena aldeia do concelho de Ponte de Lima. Em 1974 emigrou com a mãe até França juntando-se ao pai que já estava a trabalhar em Paris. Como ainda era muito novo, Manuel não foi logo trabalhar e durante dois anos ainda frequentou a escola francesa, mas quando fez 16, largou os livros e foi à procura do seu primeiro trabalho. Inicialmente não seguiu as pisadas de muitos portugueses e não foi parar à construção civil. Manuel deu cor a muitos jardins em Paris, mas como não gostava daquele trabalho, decidiu seguir o mesmo caminho da emigração, dedicando-se às obras. Actualmente tem uma empresa que faz a renovação de vários edifícios, assim como o seu design e recentemente criou um restaurante nos arredores da capital francesa com três sócios e amigos, “O Cantinho do Lima”, situado em Ivry-sur-Seine. Manuel é natural de Ponte de Lima, precisamente, e manifesta um forte amor pelas suas origens, continuando a investir no país que deixou com apenas 14 anos. Tem vários apartamentos alugados na zona de Braga, é sócio de uma empresa de transportes e procura apoiar o país sempre que é possível. “Eu sempre gostei de ser português e onde eu vou digo em voz alta. Para mim é um orgulho ser de Portugal”, afirma. Mesmo em Paris procura dinamizar a comunidade portuguesa através de várias iniciativas. Manuel já organizou vários espectáculos com o rancho folclórico da sua terra natal, criou uma equipa de futebol e, através do novo restaurante, procuram dar a conhecer a gastronomia portuguesa, sendo inclusive o cozinheiro natural do Minho. O empresário considera os portugueses patriotas, considera que estão perfeitamente integrados em França e prova disso são os elogios que recebem por parte dos franceses. “Eu acho que eles gostam de nós e durante o meu trabalho eu só ouço bons comentários sobre os portugueses. Somos pessoas bem vistas em França”, diz-nos. Na sua empresa 80% dos funcionários são portugueses e o colaborador mais antigo já está na equipa desde 1988, somando 29 anos. Manuel Alves é um homem discreto, não gosta que os holofotes se virem para a sua direcção, mas o seu trabalho em França merece a atenção da comunidade, por isso, é nomeado para os Portugueses de Valor 2020.

Portugueses de Valor 2020: Nomeada Ana Peixoto

 

Ana Peixoto nasceu em Lisboa em 1985. Da capital apenas sabe que é o local que a viu nascer, pois ainda bebé seguiu para França com os pais. Ainda assim, as maiores e melhores recordações que tem da infância são das férias passadas em Portugal. O destino era São Pedro de Aboim, em Amarante, onde juntamente com avós e primos passava bons momentos no Verão. Na memória está-lhe também o momento em que o pai a colocou, pela primeira vez, numa máquina. Tinha seis anos, e ficou encantada com a actividade profissional do pai, que tinha uma empresa de comercialização de máquinas para o sector da construção civil. Sentiu, nesse momento, que o futuro era ali. Desde então, todas as férias escolares eram passadas na empresa do pai, a observar passo a passo o seu progenitor. Ana Peixoto fez um BTS em Gestão e Comércio em Paris e integrou a empresa Peixoto Freres em 2007, a tempo inteiro. Hoje, juntamente com o pai, é a responsável máxima da empresa. O seu pai, Agostinho Peixoto sempre foi o seu ídolo. “Sempre quis ser como o meu pai, fazer as coisas como ele. Também tive sonhos de infância que é normal, como ser veterinária, mas depois sempre me foquei no meu pai”. Hoje, o principal sonho de Ana Peixoto prende-se em poder dar um bom futuro ao filho e continuar a trabalhar no que gosta. Como hobby, gosta de pintar. Para si, os valores que guiam a sua vida é a integridade e sinceridade, par além de “pôr o coração em tudo o que fazemos”. Ana foi catequista e ajuda regularmente associações portuguesas ligadas ao futebol, patrocinando as equipas. Para si, ser portuguesa é não esquecer as suas raízes. Confessa que quando se tem um companheiro que não fala português, por vezes é difícil manter a ligação a Portugal, mas o seu coração e as suas origens vão sempre permanecer na terra de Camões. A todos, deseja muita saúde e que as famílias continuem sólidas. “Os nossos filhos são o nosso futuro, por isso temos de ser sempre sinceros com eles, para que se desenvolvam bem”. 

Portugueses de Valor 2020: Nomeado José Pascoal

 

A aldeia de Monsanto viu nascer em 1953 um homem destinado ao sucesso. O tempo viria a reservar-lhe um futuro ao volante de camiões. Da infância, José Pascoal recorda os jogos de futebol e as brincadeiras entre amigos. Foi cedo que começou a trabalhar, começando por ingressar numa empresa de montagem de postes de alta tensão, onde já andava com camiões e gruas. O gosto pelo transporte também lhe veio do pai, que já era a sua profissão. Com 34 anos comprou o seu primeiro camião, hoje tem uma frota de 320 camiões. Num intervalo de 36 anos criou, alicerçou e colocou o nome Transportes Pascoal no mercado. Mercado nacional, mas também internacional, estando hoje a empresa fisicamente em Vitória e Madrid, em Espanha, Paris e Lyon, em França, Inglaterra e Bruxelas. Apesar do sucesso empresarial, fruto do seu empreendedorismo, José Pascoal confessa que nunca foi sonhador. “Fui sempre terra a terra, até nunca sonhei chegar onde cheguei. Muito trabalho, transparência, honestidade, sinceridade e justiça são tudo para mim”. José Pascoal não tem esquecido também a vertente solidária e benévola. “Temos apoiado várias instituições e, na altura dos incêndios, compramos e plantamos cerca de 1000 árvores”. Orgulhoso de ser português, José Pascoal deseja que todos os seus compatriotas “continuem a desbravar os caminhos que sempre desbravámos e que sempre continuamos a descobrir e a evoluir não só no nosso país. Demos provas que quando avançamos para outros países conseguimos levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo”.