23 Jan, 2020 Última Actualização 2:56 PM, 22 Jan, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Carla Fernandes

 

Carla Fernandes nasceu em 1981, na pequena aldeia de Cabanas, pertencente ao concelho de Macedo de Cavaleiros, em Bragança. É do sentimento de liberdade que mais sente saudade quando recorda a sua infância. Esteve até aos nove anos em Portugal, período que ía a pé para a escola com um grupo de amigos, brincavam e iam para os lameiros com as vacas. Eram donos de si mesmos, não davam pelas horas passar e tinham de ser os pais, por vezes, a chamar de volta a casa. Outro período da sua infância foi já passado em território francês, tendo vivido uma transformação drástica. De um total sentimento de liberdade, Carla Fernandes passou a viver num apartamento e teve dificuldades iniciais de integrar a cultura e a língua francesa. Apesar das dificuldades, nunca baixou os braços e desde cedo que sabia aquilo que queria para a sua vida: ser advogada. O esforço dos seus pais foi notório para lhe pagarem os estudos, mas Carla Fernandes nunca desiludiu. Formou-se em Direito, com uma especialização em Direito franco-português. Carla Fernandes é hoje sócia de um escritório de advogados, juntamente com outros cinco sócios.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Armindo Casalinho

 

Armindo Casalinho da Silva nasceu em 1962, em Leiria. Uma das maiores recordações que tem da sua juventude é o momento em que decide partir de Portugal, em direcção a França. Tinha na altura 18 anos, e decide abraçar um novo projecto de vida, a emigração. O objectivo era procurar ter melhores condições de vida, mas em França viu-se impossibilitado de obter os papéis para ficar legalizado. Armindo Casalinho não baixou os braços e manteve-se durante dois anos a trabalhar em terras gaulesas, mesmo sem os documentos. Conhecendo entretanto aquela que seria a mulher da sua vida, Armindo toma a decisão de casar e regressa a Portugal em no mês de Janeiro para casar em Agosto. Nesse período, apenas com a ajuda de um jovem, conseguiu construir a sua casa em Portugal, com 140 metros quadrados. Já casado, regressa a França com a sua esposa e consegue a legalização.


Em França, começou por trabalhar numa oficina de motorizadas, mas rapidamente passou para o sector da construção, onde se mantém até hoje. Aprendeu rapidamente a sai profissão, foi crescendo profissionalmente até surgiu a oportunidade, em 1986, de criar uma sociedade para uma empresa de construção. Dois anos depois, Armindo Casalinho decidiu deixar a sociedade e criar a sua própria empresa, que se mantém no activo até hoje.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado António Joaquim Lopes

 

António Joaquim Lopes nasceu e viveu a sua infância na aldeia de Santa Comba, em Vila Nova de Foz Côa. É de origem de uma família pobre e, por essa razão, foi obrigado a sair da escola com apenas nove anos de idade para ir guardar as ovelhas no campo. “Ganhava 30 escudos por mês”, conta. As possibilidades na aldeia eram poucas e os mais velhos tinham de trabalhar para ajudar a criar os mais novos, sendo o caso de António Joaquim Lopes.
Só saiu da aldeia para cumprir o serviço militar em Angola, estando na guerra durante 27 meses. Ao regressar à terra, decide emigrar para França em busca de uma vida melhor. Aprendeu e trabalhava numa profissão que lhe permitiu arranjar umas económicas. “Decidi, por isso, investir num restaurante na Cruz Quebrada, em Lisboa”. Juntamente com a esposa, também de Santa Comba, tiveram de abandonar França e tinham no restaurante uma hipótese de uma nova vida. Sem perceber nada de restauração, António Joaquim Lopes viu-se abraçava uma nova vida com o seu restaurante na Cruz Quebrada. “Tive a felicidade de o restaurante ser perto da Universidade de Educação Física, a única que existia no país e o único centro de estágio que havia na altura. Não percebia nada de restauração, mas adaptei-me, fui vendo como é que os profissionais faziam e venci. Tive noites sem ir à cama, mas consegui vencer”. Começou na restauração em 1974, estando nesse restaurante durante 20 anos consecutivos. Posteriormente, adquiriu um novo restaurante em Algés, onde aqui concentra toda a sua família a trabalhar há 25 anos. Faz ainda parte do Lar de Santa Comba, tendo sido convidado para trabalhar e ajudar a desenvolver a instituição, “porque os velhinhos precisam muito. Está num sítio rural onde as pessoas têm baixas reformas e é preciso ajudar”. Apesar de ter começado a trabalhar em França, é a Portugal que pertence e onde gosta de estar. “Para mim ser português é desenvolvermos o nosso país, a nossa terra. A frança ajudou-me a começar uma vida, mas é aqui que eu quero viver, é o nosso sol, é aqui que eu gosto de trabalhar. Sou 100% patriota”. A todos os portugueses que se encontram espalhados pelo mundo, António Joaquim Lopes lembra que é em Portugal que devem investir, trabalhar e fazer pela vida.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado António Morais

 

Foi a cerca de 40 quilómetros da Serra da Estrela, na aldeia de Santa Eulália, pertencente ao concelho de Seia, que nasceu António Morais. Corria o ano de 1949 quando nasceu um homem destinado à actividade comercial de lacticínios. “Nasci pobre e humilde, e recordo-me de transportar leite com um burro numa carroça, para fazer queijos. Ia buscar o leite numa carroça, a minha mãe faia o queijo e o meu pai vendia nas feiras”. António Morais fez ainda a vida militar e só quando regressou é que entrou a 100% na actividade de produção e comercialização de queijos, juntamente com o pai e o irmão. Apesar de ter estado sempre envolvido nesta actividade, foi nesta altura que surgiu a construção da Queijaria Anastácios. “Fomos crescendo aos poucos, a procura do nosso queijo sempre foi muita, pois era feito com assiduidade e muito cuidado para ser um bom queijo. Nós fomos pioneiros na produção de queijo nesta região, já apareceram outros produtores, mas nada que se compare à qualidade do nosso queijo”. António Morais revela-se um homem sonhador, que conseguiu cumprir o sonho de construir uma fábrica. Infelizmente teve um AVC há alguns anos, facto que o tem deixado impossibilitado de lutar por novas conquistas. Não deixa de ser uma pessoa solidária, ajudando sempre que possível organizações locais, entre as quais os Bombeiros. “Para mim ser português é um orgulho e sempre me considerei patriota. É importante trabalhar em prol do desenvolvimento, quer da minha vida, quer do desenvolvimento dos negócios”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Alexandre Vaz

 

Natural de Ferreira de Aves, em Sátão, Alexandre Vaz tem dedicado grande parte do sua actividade profissional ao concelho que o viu nascer. “Recordo as brincadeiras que tive na escola, guardo os jogos de futebol, guardo o contacto que tinha e os ensinamentos dos meus pais e que a minha professora me deixou, que neste caso foi a minha mãe. Tenho uma recordação muito boa do liceu por onde passei, o Liceu Alves Martins e do Colégio Tomás Ribeiro onde estudei e onde fiz o 7º ano”. Em Sátão tem as suas memórias de infância, mas foi em Coimbra onde se formou e onde realizou o sonho de se licenciar em Medicina em 1979. Começou no Hospital de Viseu até passar para um hospital concelhio em Sátão. Aí manteve-se até à criação de um posto médico na aldeia onde hoje habita, Lamas de Ferreira de Aves. Em 2005 tornou-se presidente da Câmara Municipal de Sátão, cargo que desempenhou durante 12 anos. Hoje, é o vice-presidente do Município apoiando quem sempre esteve ao seu lado. Ser médico e poder exercer a profissão com o contacto com as pessoas foram os maiores sonhos que Alexandre Vaz cumpriu na vida. Respeitado por toda a população local, Alexandre Vaz tem no contacto com as pessoas, na educação, na maneira de estar e na honestidade os seus valores máximos. Sempre foi exercendo medicina de forma benévola em instituições locais, retirando daí o carinho do contacto com as pessoas. “Como cidadão, fui presidente do Clube Recreativo de Ferreira de Aves durante alguns anos. Em relação às IPSS na autarquia, iniciamos um programa de apoio mais forte às instituições e sempre que uma IPSS entre em dificuldades, o Município tem apoiado. Dizer também, como médico, que durante vários anos exerci medicina numa IPSS, que é do concelho, durante alguns anos, sem nunca ter auferido dinheiro, apenas o carinho das pessoas”. Considera-se patriota com a ideia de defender de Portugal, esteja onde estiver. “A mensagem que eu deixo aos portugueses é que acreditem nos políticos, acreditem no país e, sobretudo, aqueles que têm levado o nome de Portugal longe o continuem a fazer da mesma maneira, fazendo aquilo que mais gostam”.