Portugueses de Valor 2021: Nomeada Julieta Alves
04 Aug, 2021 Última Actualização 8:59 PM, 4 Aug, 2021

Portugueses de Valor 2021: Nomeada Julieta Alves

 

Julieta dos Anjos Alves nasceu a 13 de Maio de 1953 na aldeia de Pinela, concelho de Bragança. Recorda-se bem, e com saudade, da sua infância. “Não éramos ricos, mas a tínhamos um bocadinho de tudo. Tenho imagens de brincar, de andar sempre na rua, não era como nas grandes cidades. Foi uma infância de participar um pouco em tudo o que se passava na aldeia. Fazíamos jogos na rua, brincava com vizinhos”, lembra.

Completou a quarta classe e começou a trabalhar em Bragança, tomando conta de uma criança e posteriormente de uma pessoa idosa. Apenas regressou a casa na altura em que a mãe tivera mais um filho, ajudando nessa missão, mas começando também a trabalhar na plantação de lúpulo. Actividade que durou até aos 17 anos, altura em que, como tantas outras raparigas de Pinela, saiu da aldeia para emigrar para França. Aproveitou o dia de festa na aldeia, em pleno mês de Agosto, para que ninguém desconfiasse, para fugir para território francês.

Em França, trabalhou como empregada de casa, indo ao longo do tempo melhorando as suas condições de trabalho sempre que mudava de local de emprego. Em determinada altura, o marido ficou sem trabalho e decidiram abrir uma empresa de limpeza, área que o marido tinha formação. “Aprendeu a trabalhar com produtos de limpeza profissionais. Começamos em 1983, e nunca fizemos publicidade, foi um trabalho porta a porta”. Anos mais tarde, a família decide regressar a Portugal, à sua terra natal: Pinela.

Foi nesta altura que Julieta Alves investiu na sua paixão pelo barro. Não trabalhava no barro mas, na sua meninice e juventude, acompanhava vizinhos e familiares na arte da olaria, observava com interesse e conta que o barro sempre fez parte da sua essência. Por isso, quando regressou à terra, já mulher madura, decidiu recuperar aquela arte entretanto perdida. Diz que trabalha por amor e com paixão, pelo barro. Hoje, é a única artesã que faz louça de Pinela. Ao longo da sua vida, deu valor à família, trabalho e saúde. “A partir daí, o resto vem tudo por acréscimo”.

Sempre foi uma pessoa benévola, ajudando todos quanto precisassem. Espírito que transmitiu também aos seus filhos. “Ajudei portugueses a arranjar trabalho, emprestava dinheiro, dava de comer. Mesmo agora em Pinela, aqui faço voluntariado no centro”. Para si, ser portuguesa significa muito. “Quem está lá fora, e teve de deixar o país onde nasceu, é complicado, porque uma parte de nós fica sempre em Portugal. Ao longo do tempo vinham as saudades. Sinto que damos mais valor a certas coisas de Portugal do que as pessoas que estão cá e não sabem o que é abandonar o país, deixar para trás a nossa vida. Eu sei que há países bonitos mas, para mim, Portugal é o país mais bonito do mundo. Quando oiço falar mal dos portugueses que estão lá fora fico enraivada. Desejo, acima de tudo, que tenham muita sorte, que Deus os abençoe e proteja, e que tenham muita coragem porque trabalhar fora não é aquilo que as pessoas pensam, é difícil. Nós adaptamo-nos, mas há um pedacinho do coração está sempre em Portugal”.

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